domingo, 17 de julho de 2016

Dá-se amor e recebe-se ingratidão

A nossa vida cristã é cerceada por atitudes que, nós seres humanos, não suportaríamos em sã consciência. Creio que a modernidade, o acesso rápido e fácil a informações generalizadas, nos tornaram pessoas acéticas as atitudes alheias. Sempre que nos dispomos a ajudar o próximo, esperamos recompensa, principalmente financeira, da pessoa favorecida.
Jesus em sua espetacular carreira pessoal, espiritual e social, teve acesso aos melhores estudiosos da época, e olha que falamos dos grandes pensadores que influenciaram aquela geração e até hoje perpetuam suas linhas filosóficas em muitas instituições de ensino, e sempre os rebatia com a seguinte frase: “- Amai o próximo como a ti mesmo!”.
Sócrates perguntou: “-Conhece a ti mesmo?” Se analisarmos a profundidade desta frase, percebe-se que muitos anos depois Jesus indagou os fariseus, saduceus entre outros “eus” se realmente eles se conheciam, pois as atitudes que teriam dentro de seus corações eram algo de repúdio, maligno e totalmente destrutivo. As pessoas eram julgadas a todo instante e queriam que o próprio Jesus pensasse assim. Pensar??? Pensar e diferente de raciocinar. O pensar é rápido e sem parâmetros o que leva a muitas vezes as pessoas a tirarem conclusões errôneas. O raciocinar leva tempo, uma visão microscópica e detalhista, ao contrário do pensar que é macroscópico e influenciável. 
Sócrates já vivia essas dificuldades naquela época e infelizmente, creio nisso, essa negatividade imperativa nas pessoas o levaram a se suicidar tomando cicuta. Acusado de ateísmo e corrompimento dos jovens ele disse uma frase:” - E agora chegou a hora de nós irmos, eu para morrer, vós para viver; quem de nós fica com a melhor parte ninguém sabe, exceto os deuses.”
Não estou defendendo o Sócrates, pois tenho Jesus como o meu maior e único filósofo entre outros tantos substantivos próprios (sim, Jesus tem vários substantivos próprios e não adjetivos), mas percebe-se que este simples mortal ao tentar mostrar a verdade para aqueles jovens da época foi totalmente desprezado. Dá-se amor e recebe-se ingratidão.
Testemunhei há pouco tempo uma colega de classe dizer que o nosso professor tem tantas qualificações, um salário alto, porque vem aqui nos dar aulas ás sextas-feiras. Logo respondi: “- Disposição a amar o próximo”. Sim, este professor não precisava dar aulas, pois é renomado em sua área de estudos, conquistou um espaço na área técnica ao qual se dedica, mas nada deste status o impediu de compartilhar os seus ensinamentos conquistados a duras horas de estudos e dedicação a nós, ingressantes no mercado de trabalho. Ela não reconhecia a atitude de amor. Você pode estar pensando: “- Tô pagannnndo!!!” Não importa, até porque uma hora de visita técnica deste professor custa o equivalente a mensalidade que pagamos por mês. Dá-se amor e recebe-se ingratidão.
Digo tudo isso acima pois estou vivendo uma situação semelhante, guardando as devidas proporções. Pessoas que sempre me pediram ajuda, pessoas que viviam na minha dependência, hoje retratam fielmente o sentimento de ingratidão. Quando casei, tive o cuidado de selecionar pessoas em que eu realmente amava, queria estar perto delas, mas hoje percebo que tudo não passou de uma troca de favores. Dei amor e vivo recebendo ingratidão. Dos meus padrinhos de casamento, nunca recebi uma visita, uma ligação qualquer, nada, nada e mais nada. Minhas filhas nasceram e ambas passaram por situações delicadas, e ninguém da minha família, nada, nada e mais nada.
Fiquei triste, sim não vou negar, mas hoje vejo muitos deles bem, prosperando, casando, vencendo, mas fica aquela ponta de ingratidão, pois muitos eu ajudei, tipo o primeiro empurrão, e hoje “jogam” na minha cara, como se cuspissem, que eu tenho “obrigações” com eles e seus consanguíneos. Errado!!! Minha obrigação hoje é outra, e segundo a Bíblia estou certo. Tenho uma família para sustentar, tenho obrigações com meu lar. Se não se preparam para o futuro, sinto muito, pois eu penso no futuro das minhas filhas e da minha esposa. Dei muito amor e recebi ingratidão. Agora, pelo menos uma vez sinto isso: Dei amor a minha família e recebo gratidão todos os dias.
Jesus foi, é e sempre será o maior exemplo: “Deu sua vida”. Deus é a mesma coisa: “Deu seu Único Filho. Ambos receberam ingratidão. Agora, aqueles que são gratos por esta iniciativa, Eles recompensarão com a vida eterna. Aqueles que forem ao contrário, paciência, terão que arcar com as palavras, atitudes e pensamentos que levam dentro de si.
Jesus é claro: “Eis que estou a porta e bato, se abrirem eu entro e ceio com vocês. (Apocalipse 3:20). Partindo da lógica, se não abrirem a porta Jesus não entrará e vocês morrerão de fome.
Agradeço a Deus por tirar uma mágoa tão grande que existia dentro de mim e hoje vivo o melhor de Deus na minha vida, na minha casa com a minha família. Se querem cear comigo, me amem, amem a quem amo, vivem o que eu vivo, se achegam a minha roda, pois é uma roda de cristãos e não de escarnecedores e ímpios.

Até a próxima
Leandro Elias de Oliveira
Cristão e consciente da ingratidão

Nenhum comentário:

Postar um comentário