A nossa vida
cristã é cerceada por atitudes que, nós seres humanos, não suportaríamos em sã
consciência. Creio que a modernidade, o acesso rápido e fácil a informações
generalizadas, nos tornaram pessoas acéticas as atitudes alheias. Sempre que
nos dispomos a ajudar o próximo, esperamos recompensa, principalmente
financeira, da pessoa favorecida.
Jesus em sua
espetacular carreira pessoal, espiritual e social, teve acesso aos melhores
estudiosos da época, e olha que falamos dos grandes pensadores que
influenciaram aquela geração e até hoje perpetuam suas linhas filosóficas em
muitas instituições de ensino, e sempre os rebatia com a seguinte frase: “-
Amai o próximo como a ti mesmo!”.
Sócrates
perguntou: “-Conhece a ti mesmo?” Se analisarmos a profundidade desta frase,
percebe-se que muitos anos depois Jesus indagou os fariseus, saduceus entre
outros “eus” se realmente eles se conheciam, pois as atitudes que teriam dentro
de seus corações eram algo de repúdio, maligno e totalmente destrutivo. As
pessoas eram julgadas a todo instante e queriam que o próprio Jesus pensasse
assim. Pensar??? Pensar e diferente de raciocinar. O pensar é rápido e sem
parâmetros o que leva a muitas vezes as pessoas a tirarem conclusões errôneas. O
raciocinar leva tempo, uma visão microscópica e detalhista, ao contrário do
pensar que é macroscópico e influenciável.
Sócrates já
vivia essas dificuldades naquela época e infelizmente, creio nisso, essa
negatividade imperativa nas pessoas o levaram a se suicidar tomando cicuta.
Acusado de ateísmo e corrompimento dos jovens ele disse uma frase:” - E agora
chegou a hora de nós irmos, eu para morrer, vós para viver; quem de nós fica
com a melhor parte ninguém sabe, exceto os deuses.”
Não estou
defendendo o Sócrates, pois tenho Jesus como o meu maior e único filósofo entre
outros tantos substantivos próprios (sim, Jesus tem vários substantivos
próprios e não adjetivos), mas percebe-se que este simples mortal ao tentar
mostrar a verdade para aqueles jovens da época foi totalmente desprezado. Dá-se amor e recebe-se ingratidão.
Testemunhei há
pouco tempo uma colega de classe dizer que o nosso professor tem tantas
qualificações, um salário alto, porque vem aqui nos dar aulas ás sextas-feiras.
Logo respondi: “- Disposição a amar o próximo”. Sim,
este professor não precisava dar aulas, pois é renomado em sua área de estudos,
conquistou um espaço na área técnica ao qual se dedica, mas nada deste status o
impediu de compartilhar os seus ensinamentos conquistados a duras horas de
estudos e dedicação a nós, ingressantes no mercado de trabalho. Ela não
reconhecia a atitude de amor. Você pode estar pensando: “- Tô pagannnndo!!!”
Não importa, até porque uma hora de visita técnica deste professor custa o
equivalente a mensalidade que pagamos por mês. Dá-se amor e
recebe-se ingratidão.
Digo tudo isso
acima pois estou vivendo uma situação semelhante, guardando as devidas
proporções. Pessoas que sempre me pediram ajuda, pessoas que viviam na minha
dependência, hoje retratam fielmente o sentimento de ingratidão. Quando casei,
tive o cuidado de selecionar pessoas em que eu realmente amava, queria estar
perto delas, mas hoje percebo que tudo não passou de uma troca de favores. Dei
amor e vivo recebendo ingratidão. Dos meus padrinhos de casamento, nunca recebi
uma visita, uma ligação qualquer, nada, nada e mais nada. Minhas filhas
nasceram e ambas passaram por situações delicadas, e ninguém da minha família,
nada, nada e mais nada.
Fiquei triste,
sim não vou negar, mas hoje vejo muitos deles bem, prosperando, casando,
vencendo, mas fica aquela ponta de ingratidão, pois muitos eu ajudei, tipo o
primeiro empurrão, e hoje “jogam” na minha cara, como se cuspissem, que eu
tenho “obrigações” com eles e seus consanguíneos. Errado!!! Minha obrigação
hoje é outra, e segundo a Bíblia estou certo. Tenho uma família para sustentar,
tenho obrigações com meu lar. Se não se preparam para o futuro, sinto muito,
pois eu penso no futuro das minhas filhas e da minha esposa. Dei muito amor e
recebi ingratidão. Agora, pelo menos uma vez sinto isso: Dei amor a minha
família e recebo gratidão todos os dias.
Jesus foi, é e
sempre será o maior exemplo: “Deu sua vida”. Deus é a mesma coisa: “Deu seu
Único Filho. Ambos receberam ingratidão. Agora, aqueles que são gratos por esta
iniciativa, Eles recompensarão com a vida eterna. Aqueles que forem ao
contrário, paciência, terão que arcar com as palavras, atitudes e pensamentos
que levam dentro de si.
Jesus é claro:
“Eis que estou a porta e bato, se abrirem eu entro e ceio com vocês.
(Apocalipse 3:20). Partindo da lógica, se não abrirem a porta Jesus não entrará
e vocês morrerão de fome.
Agradeço a
Deus por tirar uma mágoa tão grande que existia dentro de mim e hoje vivo o
melhor de Deus na minha vida, na minha casa com a minha família. Se querem cear
comigo, me amem, amem a quem amo, vivem o que eu vivo, se achegam a minha roda,
pois é uma roda de cristãos e não de escarnecedores e ímpios.
Até a próxima
Leandro Elias de Oliveira
Cristão e consciente da ingratidão